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10/09/2020

Energia lidera ranking de setores que mais emitem gases de efeito estufa em Piracicaba e Indústria é subestimada

Energia lidera ranking de setores que mais emitem gases de efeito estufa em Piracicaba e Indústria é subestimada

Publicação inédita do Imaflora, lançada nesta quinta (10), elenca setores que mais contribuem para emissões e aponta fragilidade em transparência; Cidade é 11ª do estado

 

Piracicaba é o 11º município que mais emite GEE no estado de São Paulo

 O Boletim de Emissões do Projeto “Pira no Clima”, lançado nesta quinta-feira (10) pelo Imaflora, destaca os setores que mais emitem Gases do Efeito Estufa (GEE) em Piracicaba, o 11º município com maior emissão de CO2e (gás carbônico equivalente) dentre as mais de 600 cidades do estado de São Paulo. As emissões totais brutas estão na faixa de 1,35 milhão de toneladas de GEE, de acordo com o levantamento. Quando feita a conversão dessa marca em distância e transporte utilizado, a quantidade equivale a mais de 945 mil viagens de ida e volta de Piracicaba (SP) à Brasília (DF).

São considerados no cálculo os setores de Energia, Agropecuária, Resíduos, Mudança de Uso da Terra e Florestas e Processos Industriais e Uso de Produtos. As análises se baseiam nos últimos dados divulgados pelo sistema de estimativas e monitoramento (SEEG) do Observatório do Clima, de 2018. O boletim do projeto “Pira no Clima” com todos os detalhes sobre as emissões de GEE em Piracicaba pode ser acessado em: https://www.imaflora.org/public/media/biblioteca/boletim_pira_no_clima_final.pdf

Os dados apontados no boletim ressaltam a importância do entendimento da realidade local para, dessa forma, viabilizar soluções para o combate às mudanças climáticas atentas às necessidades dos cidadãos piracicabanos.

O setor de Energia em Piracicaba lidera as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) no município, com um total de 887,2 mil toneladas lançadas na atmosfera, o que corresponde a 66% do total na cidade. O dado é uma das informações presentes no Boletim de Emissões do “Pira no Clima”, que reúne levantamentos referentes a 2018, último ano com dados disponíveis.

 

Setor de Energia lidera emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) no município

 Em seguida, vêm os setores de Resíduos, com 197,1 mil toneladas de GEE emitidos em 2018, o de Agropecuária, responsável por 185,5 mil toneladas de CO2e, o de Mudança de Uso da Terra, que emitiu 72,7 mil toneladas e o de Processos Industriais (9.675), totalizando 1,35 milhão de toneladas de GEE. As marcas colocam Piracicaba na 11ª posição no ranking dos municípios que mais emitem GEE.

 De acordo com o Imaflora, o alto número de emissões de GEE do setor de Energia é resultado da queima de combustíveis de automóveis, o que chama a atenção para a resolução de problemas referentes à mobilidade urbana e o modelo de transporte baseado na utilização de automóveis individuais. O dado, segundo o analista de Políticas Públicas do Imaflora, Bruno Vello, aponta para a necessidade de definir estratégias e

políticas públicas para reduzir tais emissões. “Medidas importantes incluem a otimização e incentivo ao transporte coletivo, o uso de combustíveis renováveis na frota pública e a criação de ciclovias e ciclofaixas”, ressalta.

 Desmatamento

 No setor de Mudança e Uso da Terra, Piracicaba emitiu 72.774 mil toneladas de GEE, segundo o Boletim, e coloca a cidade na segunda posição no ranking entre os municípios que mais emitiram gases de efeito estufa do estado de São Paulo em 2018. As atividades nesse setor têm relação direta com desmatamento, degradação do solo, queima de resíduos florestais e calagem (preparo para o cultivo) dessas áreas recém-desmatadas.

 Para o Instituto, é preciso olhar para a questão com atenção, de forma a identificar as atividades que estão impulsionando o desmatamento e a degradação e quais são os locais no município mais vulneráveis, que estão sob maior pressão.

 

Setor de Mudança e Uso da Terra coloca Piracicaba na segunda posição no ranking

 Dados subdimensionados e falta de transparência

 Com 9.675 toneladas de GEE emitidas, o setor industrial aparece na última posição no boletim, mas merece destaque na opinião dos profissionais do Imaflora. Isso porque, segundo os analistas, os dados estão subdimensionados, na medida em que apenas uma atividade é contabilizada, a de produção de aço e ferro gusa. Devido à falta de dados, há a necessidade de ações de incentivo ao aumento da transparência do setor.

 Apesar de a Indústria ser apontada como a atividade que menos emite gases de efeito estufa na cidade, ela precisa ser analisada de maneira mais cuidadosa. “É preciso fazer um trabalho de conscientização das próprias empresas em Piracicaba. O Plano Nacional de Mudança Climática (PNMC), por exemplo, sugere como uma boa prática que as empresas realizem seus inventários de GEE e tornem seu acesso público”, afirma Nara Perobelli, consultora do Imaflora e coordenadora do Projeto “Pira no Clima”.

 Há um entendimento dos especialistas que, ao reduzir essas emissões, as indústrias estão tornando seu sistema mais eficiente. Assim, além do avanço ambiental, há também maior lucro. O primeiro passo para isso é entender os gargalos de seus processos produtivos, o que pode ser atingido com a elaboração do inventário de emissão de gases de efeito estufa. Outra medida, de acordo com a coordenadora do Projeto Pira no Clima, é divulgar os dados, uma vez que o tema é de interesse social e sua abertura permite uma melhor tomada de decisão por parte do poder público. “Essa é uma boa prática empresarial, que mostra comprometimento com o meio ambiente e com a informação”, completa Nara.

 Projeto Pira no Clima

A proposta do “Projeto Pira no Clima” é promover uma mobilização para enfrentar as mudanças climáticas, de forma a garantir a mitigação – redução significativa da emissão de gases estufa – e uma adaptação às mudanças com recuperação de impactos de maneira rápida e eficiente, que culmine em um plano climático para o município. Para isso, desde abril, o Instituto vem realizando reuniões virtuais com dois grupos de trabalho que envolvem diferentes áreas de Piracicaba, além de diálogos participativos e formações em justiça climática.

 A inclusão da sociedade na construção de um Plano Municipal Participativo que auxiliará na definição de ações prioritárias para o enfrentamento das mudanças climáticas é um dos objetivos do projeto. Entre os processos previstos, está a avaliação de políticas e projetos municipais relacionados ao clima e ao gênero.

 “Sobre as mudanças climáticas, que já acontecem e tendem a se agravar, temos diferentes atores que são afetados e têm espaços distintos dentro dessa temática ambiental. O gênero é essa porta de entrada para discutirmos desigualdade, sabendo que, em Piracicaba e em outros lugares, as pessoas afetadas têm gênero, raça e classe e que, por isso, elas devem também ser protagonistas dessa temática”, afirma Nara Perobelli.

 “Buscamos uma participação social entendendo que a população tem os seus saberes e o seu interesse nesse tema, assim como o setor privado, público, terceiro setor e a academia”, completa.

 

Proposta é promover uma mobilização para enfrentar as mudanças climáticas

Realização e parcerias

 O projeto é realizado pelo Imaflora, com financiamento da Oak Foundation e apoio do Observatório do Clima, SEEG Brasil, Engajamundo, Observatório Cidadão de Piracicaba, Unesp Rio Claro, Way Carbon e MOVE.

 O Imaflora

 O Imaflora atua na esfera federal com temas de Mudança Climática junto ao Observatório do Clima (http://seeg.eco.br/), na qual é responsável pelos cálculos das emissões de gases de efeito estufa do país no setor agropecuário e de elaboração de propostas para a redução das mesmas. No atual planejamento estratégico do Imaflora, temos como meta trazer a expertise da instituição neste tema para Piracicaba, contribuindo com a estruturação de uma agenda sustentável no município.

TEMPO D COMUNICAÇÃO E CULTURA

Claudia Assencio e Rafael Bitencourt

(19) 99202-0389

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