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10/05/2013

Consumo de água e crescimento em Piracicaba: equação difícil

A pressão do crescimento das cidades sobre os recursos hídricos é um dos maiores desafios enfrentados pelos administradores municipais, que precisam desenvolver projetos para dar conta do crescimento populacional e, consequentemente, do consumo , além de evitar o desperdício.

Em uma década, o consumo anual de água subiu 20% em Piracicaba, saltando de 23,8 bilhões de litros por ano em 2001 para 28,7 bilhões em 2011. O consumo de água do município é resultado da soma dos volumes utilizados pelos setores residencial, comercial, industrial, público, hortas e assistencial.

Outro problema que afeta a cidade é o volume de água perdida na rede de distribuição, seja por vazamentos ou outros problemas. Trata-se da porcentagem da água captada e até tratada que não chega ao consumidor final. Em Piracicaba esse percentual subiu de 40,6% em 2001 para 47,6% em 2010. Para diminuir esse alto índice de perdas são necessárias ações de mitigação, obras e campanhas que garantam água para o abastecimento de forma racional.

Os dados são do Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto) de Piracicaba e do Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento (SNIS) e estão disponíveis no Observatório Cidadão de Piracicaba (www.observatoriopiracicaba.org.br/indicadores-ambientais), assim como outros indicadores ambientais.

A reportagem do portal Piracicaba Sustentável (www.piracicabasustentavel.org.br) entrou em contato com o Semae, que informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o Plano Diretor de Perdas será concluído até junho deste ano. Esse documento vai definir as ações que a autarquia vai realizar nos próximos anos. O presidente do órgão, Wlamir Schiavuzzo, informou que atualmente está realizando a troca de redes. “Em 2012 foi licitada troca de 37 km de rede na região da Vila Rezende e Algodoal. Informamos que este programa continuará nos próximos anos até atingir o ideal para diminuir as perdas nas redes”.

Vale lembrar, que a cidade há aproximadamente 13 anos capta, durante a maior parte do ano, em torno de 90% do volume de água de que necessita do rio Corumbataí, afluente do Piracicaba, por causa da qualidade da água dessa manancial ser superior a do rio Piracicaba, que ainda tem alta concentração de poluentes.

Para enfrentar essas questões, alguns municípios desenvolveram incentivos fiscais para fazer com que cidadãos e empresas invistam em tecnologias e projetos que ajudem a diminuir o consumo e as perdas, como captação e uso da água da chuva para fins como regar plantas e jardins, lavar chão etc.

O município de Guarulhos, por exemplo, implantou o chamado IPTU Verde, que vigora desde 2011, oferecendo desconto no imposto municipal de até 20% para os munícipes que adotem princípios de sustentabilidade nas edificações, como acessibilidade, arborização, áreas permeáveis, sistema de captação de água da chuva, sistema de reuso de água, sistema de aquecimento hidráulico solar, construções com materiais sustentáveis, utilização de energia passiva dispensando o uso de ar condicionado e iluminação artificial, utilização de energia eólica, telhado verde e separação de resíduos sólidos (exclusivo para condomínios).

Nesse município cada medida implantada garante ao dono do imóvel desconto de IPTU durante cinco anos consecutivos, mas depois o benefício acaba. Para receber o desconto é necessário comprovar duas ou mais medidas implantadas na propriedade.

Preservação Permanente
Em Guarulhos também existe a isenção de IPTU para as áreas de preservação permanente (APPs), que são áreas protegidas com a função de preservar recursos hídricos e a biodiversidade. Se a área for totalmente preservada o desconto pode chegar a 100%. O pedido do benefício deve ser protocolado a cada três anos.

 

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