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24/04/2020

Imaflora sugere criação de Plano Municipal de Mudanças Climáticas para Piracicaba

Por Claudia Assencio e Rafael Bitencourt

 

 

 Avenida Armando de Salles Oliveira alagada após chuvas em fevereiro

 

Piracicaba poderá ter um Plano Municipal Participativo de Mudanças Climáticas. O projeto “Pira no clima”, recém-lançado pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), prevê forte inclusão da sociedade na construção do Plano que analisará o perfil de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) do município, além de apontar áreas vulneráveis e definir as ações prioritárias para o enfrentamento das mudanças climáticas.

 

Como parte das atividades de elaboração do Plano, o Imaflora realizou, nesta quinta-feira, 22, a reunião virtual de abertura dos dois Grupos de Trabalho (GTs) – Mitigação e Adaptação – que compõem o projeto “Pira no clima”, com a participação de representantes de instituições públicas, privadas, acadêmicas, conselhos e do terceiro setor. Cada um desses grupos cuidará, respectivamente da redução de emissões, e aumento da resiliência do município e seus habitantes. Serão, ao todo, cinco encontros para cada GT, que ocorrerão, mensalmente, até agosto.

 

O projeto tem, ainda, o objetivo de contribuir para as metas nacionais e estaduais de redução das emissões de GEE, além de ser um projeto modelo para outras cidades e auxiliar a gestão da prefeitura municipal a adotar medidas efetivas e estratégicas sobre o tema para o município.

 

Experiências em outros municípios

 

Na primeira reunião, foram apresentadas experiências semelhantes em outros municípios. Luiz Gustavo Pinto, engenheiro ambiental e Gestor de Políticas Ambientais na Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Recife, compartilhou o Plano desenvolvido na capital pernambucana. “Favorece muito o trabalho contra as mudanças climáticas quando há vontade política, para que as políticas desenvolvidas na cidade possam ter rumo, objetivos e alcançar tudo o que é esperado”, opinou.

 

Bióloga e mestra em Ciências Biológicas pela Unesp (Universidade Estadual Paulista), Sara Regina de Amorim, que abordou a experiência de Sorocaba (SP), falou sobre a necessidade de conhecimento. “O que se percebe é que há uma demanda da sociedade para debater o tema das mudanças climáticas. As pessoas querem discutir, mas elas não se sentem capacitadas para participar da discussão. Então, a gente sente que é preciso trabalhar a questão do conhecimento, entender o que está acontecendo e trazer para a realidade e ter uma ação direta”, disse.

 

Mobilização

 

A proposta é promover uma mobilização para enfrentar as mudanças climáticas, de forma a garantir a mitigação – redução significativa da emissão de gases estufa – e uma adaptação às mudanças com recuperação de impactos de maneira rápida e eficiente.

 

Segundo Marcelo de Medeiros, coordenador de políticas públicas do Imaflora, o Plano quando elaborado e implementado, ajuda a pensar em soluções de curto a longo prazo. “Identificar que essa é uma prioridade no presente é considerar o planejamento e organização de uma cidade, podendo poupar custos de lidar com emergências futuras”, diz.

 

“É preciso, ainda, considerar as questões de gênero. Há estudos que mostram que tais questões ocasionam diferenças nas maneiras como as pessoas são impactadas pelas mudanças climáticas”, diz Nara Perobelli, consultora do Imaflora.

 

Diferentes processos

 

O desenvolvimento do Plano envolverá diferentes processos, como a avaliação de políticas e projetos municipais relacionados ao clima e ao gênero, de forma a mapear sinergias e conflitos. É prevista ainda a estimativa de gases de efeito estufa para identificar as maiores fontes e setores de emissões.

 

Nas etapas do projeto, serão realizadas entrevistas com a população para coleta de opiniões sobre a mudança do clima em Piracicaba, bem como diálogos que conscientizem as comunidades mais vulneráveis sobre o assunto, além da análise da situação atual do município em relação a riscos socioclimáticos (inundações, ondas de calor, deslizamentos e seca) e também de cenários futuros.

 

Calendário e participantes convidados

 

Os encontros do GT de Mitigação (voltado à redução significativa da emissão de gases estufa) acontecem sempre na segunda terça-feira do mês e reunirão representantes de instituições públicas, privadas, acadêmicas, conselhos e do terceiro setor. Já o GT de Adaptação (que busca a recuperação de impactos de maneira rápida e eficiente) se reúne sempre na terceira terça-feira do mês, com a participação de instituições públicas, acadêmicas, conselhos e do terceiro setor.

 

 

REUNIÃO

MÊS

GT Adaptação

GT Mitigação

1

Abril

23

23

2

Maio

12

19

3

Junho

09

16

4

Julho

14

21

5

Agosto

11

12

 

 

O Imaflora busca construir o Plano de modo participativo, contando com as contribuições técnicas de instituições especialistas nas áreas de clima e questões de gênero. Os interessados em participar dos debates, que cumpram esses requisitos, podem entrar em contato com o instituto pelo e-mail: [email protected].

 

Realização e parcerias

 

O projeto é realizado pelo Imaflora, com financiamento da Oak Foundation e apoio do Observatório do Clima, Seeg Brasil, Engajamundo, Observatório Cidadão de Piracicaba, Unesp Rio Claro, Way Carbon e Move.

 

O Imaflora

 

O Imaflora atua na esfera federal com temas de Mudança Climática junto ao Observatório do Clima (http://seeg.eco.br/), na qual é responsável pelos cálculos das emissões de gases de efeito estufa do país no setor agropecuário e de elaboração de propostas para a redução das mesmas. No atual planejamento estratégico do Imaflora, temos como meta trazer a expertise da instituição neste tema para Piracicaba, contribuindo com a estruturação de uma agenda sustentável no município.

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